A arte de discernir!

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“Quem precisa de leite ainda é criança e não tem nenhuma experiência sobre o que está certo ou errado. Porém, a comida dos adultos é solida, pois eles já estão treinados para provar e saber a diferença entre o que é bom e o que é mau”. (Hb 5:13-14)
Perceber nitidamente por qualquer dos sentidos configura-se em um dos atributos é um dos atributos de quem alcançou a maturidade. No campo cristão, discernir implica possuir sabedoria para distinguir o bem do mal, o certo do errado. É, sobretudo, colocar de um lado aquilo que agrada Deus e descartar tudo o que Lhe ofende e desagrada.
Acredito que o melhor termômetro do grau de nosso discernimento espiritual reside na disposição que se possui para aplicar a Palavra de Deus a todos os aspectos da nossa vida. O analfabetismo bíblico gera mediocridade e apatia.  Quem conhece as Escrituras e busca aplicá-las ao seu dia-a-dia, ouve e conhece a voz de Deus.
A passagem bíblica citada acima descreve muito bem o cristão que atingiu a maturidade como alguém treinado e apto “para provar e saber a diferença entre o que é bom e o que é mau”. Na verdade, a nossa qualidade espiritual depende diretamente da nossa capacidade de discernir que, por sua vez, apenas ocorre quando cultivamos uma comunhão permanente com o a Sua Palavra. O rei Davi afirmava que possuía mais entendimento que os seus mestres, não porque era poeta, rei ou privilegiado, mas porque meditava nos preceitos divinos: “Eu entendo mais do que todos os meus professores porque medito nos teus ensinamentos” (Sl 119.99).
Pense Nisso!
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Com a consciência limpa!

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Ter amigos nos encoraja e sermos amigo fará alguém feliz. Um verdadeiro amigo é aquele que permanece ao nosso lado nos momentos bons e maus. A verdadeira amizade não pode ser abalada por um pedido negado, principalmente quando esse pedido é para você fazer algo penalmente punível e moralmente reprovável. Amigos verdadeiros nos corrigem quando estamos errados e não nos induz ao erro. Porém, às vezes estamos cercados de falsos amigos que quer apenas se aproveitar da amizade em função do cargo ou emprego que você ocupa para extrair algo que possa atender aos seus interesses pessoais. E nesse erro eu não vou cair.
Recentemente, mais uma vez os escândalos se abateram sobre nós, fora e dentro do estado do Acre. Lá fora, a CPI do Cachoeira que já cassou até o mandato de um senador da república. Aqui no Acre, a corrupção que se instalou dentro do DETRAN e motivou a prisão de várias pessoas. E eu não vou permitir que esses exemplos influenciem meu comportamento ou maneira de pensar embora acontecimentos como esses sempre existiram e podem acontecer perto de mim e pessoas com tendência a essa prática possam me rondar.
Hoje, para minha surpresa, fui procurado por um colega de profissão para me fazer um pedido que eu classificaria como um pedido imoral. Antes, quero deixar registrado que o meu “amigo” sempre gozou da minha amizade, da minha fidelidade e de elevado conceito moral perante a minha pessoa. Pois bem. O pedido foi para que eu desse a ele 40 litros de gasolina da PM para subir o rio Abunã a fim de atender seus interesses particulares.
Embora surpreso e indignado com o pedido, calmamente respondi que eu não podia atender ao seu pedido, pois esta conduta constituía crime. Em seguida, o meu “amigo” me disse que ninguém ia saber se eu desse a gasolina para ele. E eu indaguei a ele: E eu não vou saber? E a minha consciência não vai saber? E Deus não vai saber? Aí ele calou-se por um instante sem saber o que dizer e saiu de perto de mim sem dizer nada e com ar de quem não gostou do que ouviu.
Eu fiquei triste, muito triste pelo que aconteceu, porém de consciência tranquila.
A consciência é a voz de Deus nos orientando. Temos dentro de nós a sabedoria do que é certo ou errado, mesmo antes de conhecermos os princípios de Deus. Só nos resta decidir se vamos obedecer à nossa voz da consciência.
Se resistirmos à consciência, nos tornamos insensíveis. Se resistirmos à voz de Deus, esta perde o poder sobre nossa mente. Por isso, é importante termos a consciência limpa, que nos dê convicção e nos ajude a superar circunstâncias difíceis.
Senhor Jesus, muito obrigado por colocar em mim a Sua presença através da consciência. Ajude-me a tomar decisões acertadas sempre, para que a minha fé não seja abalada e eu não me envergonhe ao reencontrá-Lo. Amém! 
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Fazendo vontade de Deus!

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“Venha o teu reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.” (Mt 6:10).
Você já percebeu que muitas vezes repetimos o versículo acima quando oramos o Pai Nosso e não prestamos atenção no que estamos dizendo? Pedimos a Deus que faça a vontade d’Ele em nossas vidas e, no entanto, queremos que Deus faça a “nossa” vontade.
Quando oramos, na maioria das vezes, é para pedir que o Senhor opere milagres, dê libertação, curas e vitórias e não perguntamos se o que queremos está de acordo com o que Ele quer para nós. É claro que Deus quer que sejamos felizes, saudáveis, prósperos, porém, seguindo às suas orientações, andando nos seus caminhos e fazendo a vontade d’Ele.
Veja os exemplos: uma pessoa pede a Deus que lhe dê saúde, mas se recusa a deixar os vícios que a prejudicam, como o cigarro, o álcool e outros. Outra pessoa pede que Deus a abençoe financeiramente, mas não segue as orientações da Palavra de Deus, age de forma irresponsável, ilegal ou imprudente com as finanças. Às vezes pedimos a Deus uma benção e não a alcançamos; dificilmente paramos para refletir os motivos porque Deus não nos atendeu.
Deus conhece o futuro e sabe perfeitamente do que precisamos. Em alguns casos, atender aos desejos do nosso coração pode causar mais problemas do que benefícios. “Enganoso é o coração mais do que todas as coisas, e perverso quem o conhecerá” (Jeremias 17:9).
Pedidos feitos para atender desejos, cobiças, vaidades ou até vinganças não estão de acordo com a vontade de Deus e, se fossem atendidos, trariam infelicidades. Pense nisso antes de pedir qualquer coisa a Deus. Alinhe a sua vontade com a vontade de Deus e você será feliz!
Pense Nisso!
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Inspirando com palavras!

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Quem deseja ser líder não pode negligenciar a arte da oratória. Esse é um grande erro, pois, além de inspiradora, trata-se de uma habilidade que pode ser desenvolvida. Prática, trabalho e determinação podem tornar qualquer líder um orador melhor e, portanto, mais eficaz.
Jesus fez uso da oratória em público como uma das suas ferramentas fundamentais de liderança, com o objetivo de instruir, inspirar e desafiar. Ao longo do tempo, muitos líderes tem se beneficiado do exemplo de Cristo. Diz-se que Abrahan Lincoln, talvez o mais eficaz de todos os oradores políticos americanos, moldou a sua oratória nos discursos de Jesus.
Certa vez Jesus estava pregando nas aldeias de Cesaréia de Filipe quando em determinado momento o discípulo Pedro o chamou em particular e começou a reprovar o que Cristo estava pregando. Em seguida Jesus repreendeu fortemente Pedro e convocando a multidão disse: Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me.
Observe que antes de chamar a multidão para reunir-se e ouvir (Mc 8.34), Jesus já havia finalizado a sua tarefa interna de assegurar a compreensão de seus discípulos. Assim, sendo, observe o método utilizado por Jesus para atrair a atenção da multidão. Primeiro, tangencia sua própria popularidade junto ao povo: Se alguém quiser acompanhar-me.... Essa afirmação só faria sentido se as pessoas já estivessem atraídas por sua causa. Mas o preço de se tornar um seguidor era a abnegação e o caminho da morte.
Tome a sua cruz” acabou se tornando um tipo de provérbio entre os cristãos. A cruz era um instrumento de tortura. As estradas ao redor de Jerusalém eram ladeadas por centenas de cruzes, exibindo moribundos ou já mortos. Esse não é um argumento bonito para atrair multidões. Não obstante, foi esse argumento que Jesus trouxe à mente daqueles que querem segui-lo.
Nos tempos de Jesus, criminosos condenados eram obrigados a carregar a cruz para o lugar de sua própria execução. Aqui, Jesus estava chamando homens a vir e morrer a seu serviço. Não nos damos conta do impacto de suas palavras. Ele conclama seus seguidores a um heroico esforço contra a oposição, o sofrimento, a dor e a morte que todos enfrentariam. Nem todos estariam dispostos a pagar o preço se seguir Jesus. Por essa razão, ao expor os riscos de maneira tão ousada e clara, Jesus foi à frente de todos que ousassem segui-lo.
Grandes oradores compreendem que as pessoas reagem a um grande desafio, mesmo que ele envolva um grande sacrifício pessoal, quando elas acreditam na pessoa que faz o desafio, elas veem o desafio como algo válido, e o desafio não é “açucarado”, mas exposto de modo claro e completo.
Para quem deseja ser um bom orador, é necessário pedir a alguém de confiança para avaliar e tecer críticas aos seus discursos. Assegure-se de que seja alguém “de opinião”, de modo a receber um retorno franco e honesto. Jesus não precisava de um crítico, pois ele sabia o quanto era eficiente. Porém, nenhum de nós pode ter essa certeza.
Ser um orador inspirador e desafiador é uma habilidade que vale a pena desenvolver.
Pense Nisso!
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Quem é merecedor!

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Certa vez Jesus estava no mercado e alguém perguntou: “Quem é merecedor de entrar no reino de deus?” Ele olhou ao redor. Havia um rabino, e este deve ter dado um passo á frente, pensando que seria escolhido – mas não foi. Havia o homem mais virtuoso da cidade – um moralista, um puritano. Ele deu um passo à frente, esperando que fosse escolhido, mas não foi. Jesus olhou ao redor e viu uma criança pequena que não estava pensando em ser escolhida, que não tinha arredado pé do lugar em que estava. Ninguém imaginava que ela fosse escolhida. Ela estava apenas apreciando a multidão e Jesus e pessoas falando, enquanto ela estava escutando. Jesus chamou a criança, tomou-a nos braços e disse à multidão: “Aqueles que são como esta criança pequenina, esses são os únicos merecedores de entrar no reino de Deus”.
Veja que Jesus disse “Esses que são como criancinhas”. Ele não disse: “Esses que são criancinhas”. Há uma grande diferença entre as duas frases. Jesus não disse: “Essa criança entrará no reino de Deus”, porque toda criança está destinada a ser corrompida.
A criança nasce inocente, com o coração puro, mas a sociedade a corrompe. A sociedade faz a criança escrava de seus propósitos religiosos, políticos, sociais e ideológicos. No momento em que a criança começa a se tornar parte da sociedade, ela começa a ser corrompida e como consequência perde o contato com Deus. Afasta-se cada vez mais dEle em seus pensamentos, atitudes e gestos.
Para reaproximar de Deus é preciso resgatar a pureza do coração, um coração com a mansidão de um cordeiro e a leveza de uma pluma, para que sendo como uma criança sejamos merecedores de entrar no reino de Deus.
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Uma pausa para a música! Muito além do que os teus olhos podem ver! Jamily!

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Faço uma pausa nos post para você assistir a um belíssimo clipe da nova música da cantora gospel Jamily! Clik em leia mais...
      

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Anos de ouro!

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Minha infância foi em um tempo em que ainda se faziam visitas a parentes. Recordo muito bem de minha mãe mandando eu e meu irmão caprichar no banho porque a família toda iria visitar algum conhecido. Íamos todos juntos, a pé. Geralmente, nos finais de semana.
Ninguém avisava nada, o costume era chegar de surpresa mesmo. E os donos da casa nos recebiam alegres. Aos poucos, os moradores iam se apresentando, um por um. Vinha um e apertava a mão do meu pai, da minha mãe, a minha mão e a mão do meu irmão. Aí chegava outro. Repetia-se toda a diplomacia.
– Vamos sentar gente. Que surpresa agradável!
A conversa rolava solta na sala. Meu pai conversando com o compadre e minha mãe de papo com a comadre. Eu e meu irmão ficávamos sentados entreolhando-nos e olhando a casa visitada. Retratos e imagens de santos na parede. Casa singela e acolhedora. A nossa também era assim.
Também eram assim as visitas, singelas e acolhedoras. Tão acolhedoras que era também costume servir um bom café aos visitantes. De repente surgia alguém lá da cozinha – geralmente uma das filhas – e dizia:
– Pessoal vem aqui pra dentro que o café está na mesa. Tratava-se de uma metonímia gastronômica. O café era apenas uma parte: pães, bolo, broas, queijo fresco, manteiga, biscoitos, leite, qualhada, rapadura... Tudo sobre a mesa.
Juntava todo mundo e as piadas pipocavam. As gargalhadas também.
          Pra quê televisão? Pra quê rua? Pra quê droga? A vida estava ali, no riso, no café, na conversa, no abraço, na esperança... Era a vida transbordando simplicidade, alegria e amizade...
Quando saíamos, os donos da casa ficavam à porta até que virássemos a esquina. Ainda nos acenávamos. Era assim também lá em casa. Recebíamos as visitas com o coração alegre... A mesma alegria se repetia. Quando iam embora, também ficávamos olhando até eles desaparecerem no horizonte.
O tempo passou. Hoje é cada um na sua e ninguém na de ninguém. Não se recebe mais em casa. Agora a gente combina encontros com os amigos fora de casa.
Assim, as casas vão se transformando em túmulos sem epitáfios, que escondem mortos anônimos e possibilidades enterradas. Cemitério urbano, onde perambulam zumbis e fantasmas mais assustados que assustadores. Casas trancadas. Pra quê abrir? O ladrão pode entrar e roubar a lembrança do café, dos pães, do bolo, das broas, do queijo fresco, da manteiga, dos biscoitos, do leite...
Que saudade daquele tempo!
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A verdade que Pilatos queria conhecer!

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Lendo o livro O centurião que espionava Jesus a mando de Pilatos, do Padre e escritor brasileiro Lauro Trevisan, me detive num pequeno trecho da transcrição da narrativa bíblica em que Jesus é interrogado por Pilatos no tribunal. Na ocasião o interrogatório se deu assim:
- És tu o rei dos judeus? perguntou Pilatos.
- Tu o dizes, eu sou rei – confirmou Jesus.
E acrescentou:
- Para isto nasci e para isto vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade, escuta minha voz.
Pilatos recostou-se na cadeira do pretório e falou, mais para si do que para Jesus:
- O que é a verdade?
No tribunal o que as partes (defesa e acusação) desejam é mostrar a verdade; a sua verdade. Uma verdade que se ajuste aos seus interesses. Cada um tem sua verdade e apresenta ao julgador.
Juridicamente, o julgador – o Juiz ou Corpo de Jurados, por exemplo – precisa de uma verdade para decidir e dar o veredito. Uma verdade que vai ser recriada na sua mente, na sua consciência de fora para dentro a partir do que ouve, lê e vê. Por outro lado, a verdade do réu é formada de dentro para fora partir do que vivenciou, experimentou ou sofreu. A verdade do julgador não é a verdade do réu.
No caso de Jesus quando ele foi levado para ser julgado por Pilatos, este o analisou de cima até em baixo, com extrema curiosidade e viu que só havia bondade nele. Apesar dos impropérios e das falsas acusações, Pilatos foi capaz de perceber, com sutileza, que Jesus era inocente e que nele não havia crime algum. Era a voz de Deus, a verdade triunfante, falando para Pilatos que Jesus era inocente. Pressionado pelos escribas e sacerdotes, Pilatos mesmo convicto da inocência de Jesus, se acovardou e o condenou à morte.
A verdade que Pilatos queria conhecer e que conheceu pessoalmente, mas que não quis aceitar por causa de sua vaidade, é a mesma que se apresenta para nós hoje: Jesus. Porque ele disse: “Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai se não por mim” (Jo 14:6).
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O erro de Psiquê!

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Ser curioso pode nos ajudar crescer, mas também pode às vezes causar problemas.
De acordo com a mitologia grega, Psiquê estava prestes a ser sacrificada a um monstro quando Eros a salvou. Ele a transportou para o seu palácio e a possuiu todas as noites, sempre na escuridão total para que Psisquê não pudesse ver nem seu rosto nem seu corpo porque ela estava proibida de contemplá-la.
Mas, a curiosidade de Psiquê veio à tona e ela perguntou:
- Quem é essa criatura que salvou minha vida e agora me ama com tanta paixão?
Numa noite, enquanto Eros dormia, Psiquê se esgueirou da cama, pegou uma lamparina, acendeu a aproximou-se da cama para ver o rosto dele. Com a mão trêmula viu que ele era mais bonito e perfeito do que jamais poderia ter imaginado.
Enquanto Psiquê segurava a lamparina, derramou uma gota de óleo, que caiu na face dele e o acordou. Ao ver Psiquê de pé ao seu lado na claridade e percebendo que sua identidade não era mais segredo para ela, Eros se levantou e desapareceu na noite, deixando-a sozinha e chorosa. Em grego Psiquê significa “alma”, e na história o amante dela se chama Eros, ou “paixão”. Esse é um mito que trata da procura da alma pela paixão, pelo amor.
Eros foge de Psiquê quando a alma exige demais: ver seu rosto às claras, saber seu nome, capturar sua essência invisível nos limites da definição. O objeto de nosso amor pode ser experimentado, mas nunca possuído. Se tentarmos possuí-lo, ele vai desaparecer instantaneamente de nossa vida.
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Pigmaleão e Galateia!

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Quando estamos solitários e precisamos de alguém para amar e que nos ame, nossa imaginação erótica pode construir a imagem do tipo de pessoa que esperamos encontrar, alguém que poderá satisfazer inteiramente nossas necessidades, atendendo-as de uma forma que ninguém mais saberia fazer.
Claro que a vida real jamais nos proporciona tamanha perfeição – e como poderia, já que nós mesmos não somos perfeitos?
Na história grega antiga houve um homem chamado Pigmaleão, que morava na ilha de Chipre. Segundo a lenda, Pigmaleão ainda não havia encontrado a mulher a quem entregar seu coração. A prostituição também era algo comum na ilha, por isso, enojado com a promiscuidade das mulheres cipriotas, ele decidiu viver sozinho. Mesmo assim, em sua solidão, continuava ávido de amor, como alguém que está no mar sedento por uma água que não pode beber.
Certa tarde, quando Pigmaleão trabalhava esculpindo uma estátua, sentiu que suas mãos se moviam com uma paixão inconsciente. Entalhou cada peça de marfim com uma intensidade que não lhe era habitual e fixou uma por uma na matriz de madeira. Daí começou a surgir uma figura de tamanho natural e de inesperada beleza, de pele clara e de sorriso doce. Ele pintou os lábios de um tom rosado e colocou os olhos. Ao final, a estátua pareceu lhe encarar. Então ele recuou, admirado não do seu trabalho, pois a estátua não aparentava mais ser algo que ele tivesse criado, e sim alguém que ele tivesse ajudado a trazer à vida com o todo mais atraente que a soma das partes, uma mulher de beleza perfeita que satisfazia seus desejos e expectativas.
À noite, na solidão de sua cama, lembrou o rosto de marfim que suas mãos tinham tocado. Não conseguiu dormir, então se levantou e voltou para o estúdio. Lá estava ela, o luar palidamente refletido em sua pele nua. Pigmaleão sentou-se ao lado dela e a fitou.
Quem dera você fosse de verdade”, pensou ele.
Na manhã seguinte, acordou no chão do estúdio, onde acabara adormecendo.
Naquela noite, viu-se novamente sozinho na cama. Ao longe, escutava o riso de um casal que passava pela rua. Acompanhou suas vozes até dobrarem a esquina e o som desaparecer.
Então ele se levantou, foi até o estúdio e delicadamente pegou a estátua e a levou para a cama, deitando-lhe a cabeça no travesseiro ao seu lado. Pousou a mão em seu peito, acariciou os seios que ele próprio esculpiu, beijou a face dela e pronunciou o seu nome pela primeira vez: “Galatéia” que significa “branca como leite”!
Pela manhã, devolveu a estátua ao pedestal do estúdio, encobrindo-a com tecido e a escondeu atrás de um biombo para que ninguém mais visse a obra prima que ele criara.
No dia seguinte seria realizado o festival de Afrodite, a data mais alegre da ilha de Chipre. Pigmaleão foi ao templo de Afrodite e pediu a ela com todo o amor no seu coração: “Dê vida à mulher que eu amo, e que ela me ame com um amor igual ao que eu lhe dedico”. No fundo, Pigmaleão sabia que era uma prece impossível de ser atendida. Teria sido melhor ter rezado para Esculápio, o deus da medicina, para curar sua loucura e por fim àquela ilusão.
Quando anoiteceu, Pigmaleão voltou a cumprir seu ritual, levando Galatéia para a cama e deitando-se ao lado dela até o amanhecer. Naquela noite, porém, quando pousou o braço sobre seu peito, os seios de marfim estavam macios e quentes, subindo e descendo à medida que a estátua respirava. Os olhos dela, que sempre tinham estado abertos até então, piscaram e Pigmaleão viu lágrimas rolarem deles.
- Galatéia! – disse ele, espantado. - Galatéia!
Seu nome foi só o que ele conseguiu dizer quando ela se virou e o beijou, pronunciando o nome dele como se o conhecesse desde o dia de seu nascimento. Afrodite atendeu à prece de Pigmaleão, reconhecendo o seu intenso desejo.
Comentários: A história de Pigmaleão e Galatéia expressa bem a natureza humana. Ser humano é ser incompleto. Nossa vida é uma busca permanente de algo que nos complete, tanto no corpo quanto no espírito. Fomos feitos homens e mulheres por Deus onde cada metade precisa, ansiosamente, encontrar a outra.
Além disso, esta história nos dá uma grande lição ensina também sobre nossa ânsia por beleza e perfeição, uma compulsão que afeta muitas pessoas, principalmente mulheres. É inevitável que a perfeição esteja além do alcance de qualquer pessoa. É inevitável sermos vítimas do envelhecimento. A beleza se degenera no percurso da estrada que vai do nascimento à morte. Aprendemos essa verdade a cada dia quando olhamos o rosto e contemplamos o corpo de quem amamos.
A perfeição ideal, nunca saciada, pertence à arte, não à vida real. No entanto, a busca por essa perfeição nos mostra nossas aspirações, ou seja, aqueles momentos evanescentes que fazem toda uma vida valer a pena.
A busca da perfeição pode causar sofrimentos intensos, tanto físicos quanto psicológico. Se moderarmos nossos desejos e expectativas, nos poupamos de angústias desnecessárias.
No instante que compreendemos e aceitamos que a vida é constituída apenas de momentos impermanentes, percebemos como ela é realmente preciosa.
No fim, a estátua de Galatéia, por mais perfeita que fosse, deixaria de satisfazer Pigmaleão. Seu silêncio não atenderia às necessidades daquele homem, pois somente sua voz e seus pensamentos – como em uma mulher de verdade – poderiam acabar com a carência dele.
 Mas isso não significa que Pigmaleão fosse ficar sempre satisfeito com tudo o que Galatéia dissesse. Ao dar vida à Galatéia, Afrodite também lhe deu liberdade e independência – um preço que Pigmaleão teria de pagar.
Quem busca a mulher perfeita sempre rejeita a que tem, mas quem aceita uma mulher de verdade nunca terá a ideal.
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